Monday, May 08, 2006

Antes fossemos, antes tivessemos, antes percebessemos...

De facto, tinha acabado por me esquecer de contar a minha outra mais recente novidade... como bem tinha dito num dos posts anteriores, tinha alguém escondido na manga, o que não é mentira... de facto, e apesar de não haver nada entre nós, conheci um outro rapaz.

Veio ter comigo pelo site que já todos conhecemos e cujo nome aqui só ocuparia espaço, se referido, e desde há uns tempos para cá temos tido aquilo a que se pode chamar de boas conversas, good vibrations...

De incício, e pela ideia que o rapaz me foi transmitindo, formei a imagem de um V. (assim é o nome da criatura, no bom sentido, claro...) tacanho e cheio de problemas e traumas por relações mal sucedidas. Pelo que fui percebendo nas entrelinhas, pensara ter encontrado aquela pessoa ideal que todos nós procuramos e deixou-se envolver pensando tratar-se, ali, daquela relação de namoro, estável e tudo e tudo.
Enganou-se, ou melhor, foi enganado, e acabou por saborear os prazeres da carne e ver as esperanças de um futuro namoro fugirem-se-lhe da mão, como de nós foge tão rápido o tempo quando o queremos lento e moroso. Diria que calha a todos destas coisas... uns com mais sorte do que outros... outros tantos com mais azar que os demais...

Não digo que àparte todos este problemas uma pessoa não possa continuar a ser fantástica (partindo do pressuposto de que o já é) e continue a viver a sua vidinha normal. Não quero com isto dizer que estas coisas nos passem e não deixam marcas... Claro que deixam... pois que tudo o que se passa à nossa volta, e em especial aquelas pequenas ou grandes tormentas, são as que maiores marcas nos cravam na alma... É facto cuja comprovação científica confesso desconhecer, mas cuja experiência de vida me tem revelado que assim é... Mas como em tudo na vida, é precisamente com o lado negro que ela nos traz que vamos aprendendo... É batendo com a cabeça, seja quantas vezes forem precisas porquanto ninguém aprende da mesma forma e à mesma velocidade, pois naturalmente somos humanos e não máquinas, que vamos aprendendo e sabendo cada vez melhor como nos levantar, como ultrapassar mais uma barreira.

Aliás... não gosto de generalizar, apesar de muitas vezes acabar por fazê-lo inconscientemente, e sei bem que cada caso é um caso e que aquilo que uma tormenta (relembrando aqui a história de João Mau-Tempo) nos ensina pode não ser suficiente para impedir nova queda uns tempos mais tarde... mas sempre se vão construindo bases, sempre as nossas estruturas psicológica e física se vão engrossando e tornando cada vez menos permeáveis aos novos contratempos que a vida se encarrega de nos trazer e voltar a trazer quando menos esperávamos e quando já pensávamos que nada pior podia acontecer. Bem sei que assim é... venham novas tecnologias, venham novas eras, novos tempos, o que seja, o homem aprende caíndo, porque depois se terá necessariamente de levantar, por si ou com ajuda.
Com isto quero dizer que o rapaz e todos nós estamos sujeitos e estas intempéries e obstáculos... eu não sou excepção e venha a primeira pessoa que me diga que nunca enfrentou um problema, qualquer ele que seja... E, claro está, a forma de lidar com os problemas diverge, a velocidade para a sua resolução varia, a forma como aprendemos com a queda que demos não é estanque...

Mas só me está a parecer que o que é demais enjoa...

Isto é, não vou dizer que o rapaz não tenha sofrido desilusões amorosas, não tenha sofrido bastante e não se tenha sentido verdadeiramente usado, mas porra!! Que há a fazer? Fechar-mo-nos em casa e esperar que uma qualquer luz divina nos ilumine por entre um caminho mágico que nos faça esquecer o que se passou e nos guie entre a felicidade eterna de encontro ao maravilhoso mundo da fantasia? Pois... já somos todos bem crescidinhos para saber que as coisas não funcionam propriamente assim... e que nem tuda na vida são rosas... e que os espinhos tornam a vida no que ela tem de mais interessante... o aprendermos precisamente a viver a vida!

Não me parece, contudo, que o rapaz tenha aprendido o que quer que seja... irrita-me aquele imobilismo atroz e aquela ânsia de alimentar um sofrimento que só precisa de ser descarregado, melhor, ultrapassado, compreendido, percebido, e ultrapassado, para que nenhuma etapa escape... Ele é assim... queixa-se disto e daquilo, do que foi feito e do que ficou por fazer e ainda diz que não gosta dele mesmo e que chega mesmo a odiar-se!! É que so me calham abéculas, pelo que estou a ver...
Mas hoje, além de ter descoberto a verdadeira faceta melodramática do rapaz - verdadeira Amélia choradeira - venho a descobrir também que ele nada faz para alterar o que sente e toda a sua frustração e sofrimento! E quem é que acaba por levar por tabela? Pois é... não posso querer avançar com mais alguma proposta que o menino não gosta, sente-se pressionado e traumatizado... Uff! Há que confessar que pessoas melodramáticas e com tendência para downstream e depressões não se ligam bem com as minhas génese e veia optimistas.

É que merdas também já por mim aconteceram, mas ultrapassei-as, umas melhor do que outras, mas ultrapassei na medida do possível. Que cansado que eu estou.. ainda assim fiz um esforço e disse mais ou menos o que aqui plasmei ao rapaz, não para o levar para a cama ou qualquer coisa do género, mas para ver se o tirava daquele marasmo de vida! Céus!!

Só que.. mesmo a final... na conversa que ainda agora tivémos, começei a pensar de outra forma... Tenho fases e dias em que acordo e penso que só me apetecia ficar em casa fechado e que não gostava de enfrentar o dia. Tenho alturas em que penso que não gosto nada de mim, que me detesto até... mas não ando por aí a dizer estas coisas a meio mundo e a vangloriar-me (será isso?) do defeito ou feitio.. mas ele diz mesmo que não gosta dele mesmo e ponto!
Por isso até comecei a desconfiar se não será apenas fogo de vista... uma nova forma de conquistar camas e levar boys para a cama... com um triste rapaz que precisa de muita atenção... não sei mesmo... é que não acho mesmo normal... dei por mim a pensar, quando o conheci e o fui descobrindo, que não o podia tratar como uma presa a agarrar, mas agora dou por mim a majicar se não serei eu essa mesma presa, quando não quis que o rapaz assim o fosse para mim... Sinceramente... vai na volta sou eu que estou a ver este caso de uma forma estranha e se calhar começo mesmo é a perder a confiança nas pessoas que me rodeiam...

Bem, ao menos de uma coisa tenho a certeza... o que tenho (sim, ainda é tenho, porque o tempo verbal e a vontade ainda não mudaram) com o G. sei bem o que é... ficou esclarecido que não é namoro, o que me acalenta a alma...
Antes todos fossem sinceros, primeiro consigo mesmos e, depois, com os outros... Antes todos nós aprendessemos com os obstáculos... Antes todos nós percebessemos que o querer muito uma relação só dificulta a sua chegada... Antes percebessemos, todos e cada um de nós, a olhar para a essência da vida e a perceber que ela é feita de encruzilhadas que nos compete ultrapassar, qual poeta no seu jogo de palavras!
Antes fossemos, antes tivessemos, antes percebessemos...

1 Comments:

At Wednesday, May 10, 2006 3:35:00 AM, Anonymous Anonymous said...

ola jeitoso...
sim, pela primeira vez vim deixar um comentario no teu blog, apesar de ja ser assiduo leitor... gosto da tua escrita, acho que tens jeito!
mas em relaçao a tudo o que escreves, bem, tenho varios sentimentos! um deles é realmente, que tenho medo te tornes frio demais! nem mesmo a samantha é tao fria! o rapaz novo (pode-se dizer assim? ou tu nem tempo lhes das para que sejam velhos??), o V., bem, ele parece estar um tanto ou quanto down! ao ler o que dizias sobre ele, nao pude deixar de me lembrar daquilo que passei qd um ex namorado meu resolveu acabar cmg... foi muito traumatico, e sim, tb eu durante varios meses nao saí daquele estado de espirito de me odiar, de achar que ninguém gostava de mim e de achar que nunca voltaria a amar (and guess what, i still haven't fallen in love again!), mas seja como for, nao sei como é o rapaz, ha quanto tempo acabou o namoro, como foi o namoro, que sentimentos tinha ele qd acabou... digo-te apenas, da-lhe tempo! eu demorei longos meses a recompor-me, mas recompus-me!
em relaçao aos outros sentimentos... bem, sabes que levei uma grande pancada ultimamente, e a verdade é que se me varreram neste momento! but don't worry, eu voltarei a comentar os teus posts! e nao vou acabar este comentario sem te dar as boas vindas (atrasadas!) a este mundo dos blogs! que o teu blog seja muito bem sucedido!
um abraço
G.

 

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